Sistemas Industriais

SAAT Nexus: o que muda na operação e na integração de dados das empresas do setor elétrico

Victor Gurgel

harpix

8 min

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SAAT Nexus e integração de dados para modernização da operação no setor elétrico.

O setor elétrico está passando por uma nova etapa de digitalização em processos que, até pouco tempo atrás, dependiam de uma grande quantidade de documentos, conferências e rotinas operacionais distribuídas entre diferentes áreas.

Um dos movimentos mais recentes é o SAAT Nexus, novo ambiente digital apresentado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS, para modernizar processos relacionados à liquidação dos Encargos de Uso do Sistema de Transmissão, os EUST. O ONS anunciou o lançamento da plataforma em setembro de 2026. ONS

Mas, para as empresas impactadas, a mudança não termina na adoção de uma nova plataforma.

O verdadeiro desafio começa quando as informações disponibilizadas pelo novo ambiente precisam chegar ao ERP, ao financeiro, ao faturamento, ao regulatório e aos demais sistemas utilizados na operação.

É exatamente nesse ponto que integração de dados deixa de ser apenas um assunto de TI e passa a ser uma questão operacional.

O que é o EUST?

O EUST é o Encargo de Uso do Sistema de Transmissão.

De forma simplificada, ele está relacionado ao uso da infraestrutura de transmissão de energia elétrica e faz parte da rotina financeira de agentes conectados à Rede Básica.

Os Procedimentos de Rede do ONS estabelecem processos para apuração mensal dos serviços e encargos de transmissão, incluindo valores atribuídos aos usuários e valores faturados pelas concessionárias de transmissão. ONS

Na prática, isso envolve diferentes tipos de agentes do setor, como:

  • transmissoras

  • distribuidoras

  • geradoras

  • consumidores conectados à Rede Básica

Essa operação movimenta informações financeiras, regulatórias e documentais que precisam ser conferidas e processadas mensalmente.

Onde o SAAT Nexus entra nessa operação?

A proposta do novo ambiente é modernizar a forma como essas informações e documentos são tratados.

Isso pode representar uma evolução importante na relação entre o ONS e os agentes do setor.

Mas existe uma diferença entre:

ter acesso à informação

e

ter essa informação integrada à operação da empresa.

Uma empresa pode consultar um documento dentro de uma plataforma externa e ainda precisar:

baixar o arquivo
conferir informações
validar valores
registrar os dados no ERP
atualizar o financeiro
realizar conciliações
armazenar documentos
acompanhar divergências

Se essas etapas continuarem dependendo de atividades manuais, parte do ganho de digitalização pode acabar ficando restrita à plataforma.

Uma nova plataforma pode criar novos pontos de integração

Sempre que uma empresa passa a utilizar um novo sistema externo, surge uma pergunta importante:

como essa plataforma conversa com os sistemas que já existem dentro da organização?

No setor elétrico, uma operação pode envolver:

ONS
ERP
sistema financeiro
faturamento
gestão documental
área regulatória
BI
Data Warehouse
sistemas internos

Se cada ambiente possuir sua própria informação e não existir integração entre eles, o processo pode se tornar fragmentado.

O funcionário consulta uma plataforma.

Depois baixa uma informação.

Depois transfere essa informação para outro sistema.

Depois alguém confere.

Depois outro time utiliza a mesma informação em outro processo.

O sistema mudou.

Mas o processo continuou manual.

Financeiro e faturamento estão entre as áreas mais impactadas

Quando falamos de encargos relacionados à transmissão, naturalmente existe um impacto importante nas rotinas financeiras.

As equipes precisam garantir que os valores estejam corretos, que os documentos sejam processados e que as informações estejam registradas nos sistemas corporativos.

Em uma operação pouco integrada, podem surgir atividades como:

  • download manual de documentos

  • digitação ou importação de informações

  • conferência entre plataformas

  • conciliação de valores

  • atualização de status

  • armazenamento de documentos

  • controle por planilhas

Separadamente, cada uma dessas tarefas pode parecer simples.

O problema aparece quando elas se repetem todos os meses, para diferentes documentos, contratos ou empresas do grupo.

O desafio pode ser ainda maior em estruturas com múltiplas SPEs

Empresas do setor de transmissão frequentemente operam projetos por meio de Sociedades de Propósito Específico, as SPEs.

Cada SPE pode possuir CNPJ próprio, contratos específicos, obrigações e rotinas financeiras individuais.

Quando uma holding administra diversas SPEs, a complexidade aumenta.

Imagine, por exemplo:

uma holding
cinco SPEs
diferentes contratos
diferentes documentos
diferentes registros financeiros

Mesmo que todos utilizem a mesma plataforma externa, a informação pode precisar ser direcionada corretamente para cada empresa, centro de custo ou unidade dentro do ERP.

Quanto maior o número de operações, maior a importância de automatizar esse fluxo.

O problema não é apenas baixar o documento

Um erro comum quando se pensa em integração é olhar apenas para a primeira etapa.

“Precisamos acessar o documento.”

Mas isso representa apenas o início do processo.

Depois que a informação é obtida, outras perguntas surgem:

Para qual empresa ela pertence?

Para qual CNPJ?

Qual contrato está relacionado?

Qual valor precisa ser registrado?

Existe alguma divergência?

Esse documento precisa passar por aprovação?

Onde ele deve ser armazenado?

O ERP precisa receber alguma informação?

O financeiro precisa ser notificado?

Existe algum prazo relacionado?

É por isso que uma integração bem estruturada precisa considerar o processo completo.

APIs podem ajudar, mas não resolvem tudo sozinhas

Uma API permite que sistemas troquem informações automaticamente.

O ONS mantém o Portal Integra, um ambiente voltado à disponibilização de APIs para integração com seus serviços digitais.

Mas a existência de uma API não significa que todo o processo está automaticamente integrado.

Ainda é necessário definir:

  • quais dados serão consumidos

  • frequência de atualização

  • autenticação

  • transformação das informações

  • regras de negócio

  • tratamento de erros

  • destino dos dados

  • monitoramento

  • logs

  • segurança

Uma API é a porta.

A integração é o caminho completo até o sistema de destino.

O ERP precisa receber a informação certa

Em muitas empresas, o ERP é o sistema central para financeiro, contabilidade, faturamento e gestão.

Por isso, quando uma nova plataforma entra na operação, a integração com o ERP se torna um dos pontos mais importantes.

Um fluxo possível poderia ser:

ONS / SAAT Nexus

↓

captura das informações

↓

validação e transformação

↓

identificação da empresa ou SPE

↓

ERP

↓

financeiro / faturamento / contabilidade

Esse tipo de arquitetura reduz a necessidade de intervenção manual entre as etapas.

Integração também significa monitoramento

Automatizar um processo não significa simplesmente fazer com que ele rode sozinho.

É preciso saber quando algo dá errado.

Uma integração precisa ser capaz de indicar:

documento não encontrado
falha de autenticação
informação inconsistente
ERP indisponível
duplicidade
erro de processamento
valor divergente

Sem monitoramento, um processo automatizado pode simplesmente substituir um problema manual por um problema invisível.

Por isso, integração e observabilidade precisam andar juntas.

O regulatório também precisa estar dentro da conversa

Mudanças promovidas pelo ONS não afetam apenas tecnologia e financeiro.

O setor elétrico possui uma forte componente regulatória.

Contratos, obrigações, prazos e procedimentos fazem parte da rotina das empresas.

Uma integração eficiente precisa respeitar esse contexto.

Isso significa que o projeto não deve ser discutido apenas entre TI e fornecedores de tecnologia.

É importante envolver:

  • regulatório

  • financeiro

  • faturamento

  • contabilidade

  • tecnologia

  • operações

Quanto mais cedo essas áreas participarem, maior a chance de o fluxo representar o processo real da empresa.

Digitalizar não é apenas trocar a interface

Existe uma diferença importante entre digitalização e transformação operacional.

Digitalizar pode significar retirar um documento de um processo físico e colocá-lo em uma plataforma online.

Transformar significa fazer com que aquela informação percorra toda a organização sem depender de tarefas repetitivas.

Por exemplo:

Digitalização

Documento disponível online.

Integração

Documento é identificado, capturado, validado, associado à empresa correta e enviado automaticamente ao sistema que precisa utilizá-lo.

Essa segunda etapa é onde a tecnologia começa a gerar ganho operacional.

Como as empresas podem se preparar

Antes de pensar em uma integração específica, vale mapear como o processo funciona hoje.

Algumas perguntas ajudam:

Como os documentos são obtidos atualmente?

Quem faz essa atividade?

Quanto tempo é gasto mensalmente?

Quantos sistemas participam do processo?

Existe uso de planilhas?

Existem lançamentos manuais no ERP?

Quantas empresas ou SPEs estão envolvidas?

Como divergências são identificadas?

Como os documentos são armazenados?

Existe rastreabilidade do processo?

Esse levantamento ajuda a identificar quais etapas realmente precisam de integração.

O melhor projeto começa pelo processo, não pela tecnologia

É comum começar uma discussão perguntando:

“Qual API vamos utilizar?”

Mas talvez a primeira pergunta devesse ser:

“Qual processo queremos eliminar, melhorar ou automatizar?”

Quando o problema está claro, a tecnologia passa a ser uma ferramenta.

Sem esse entendimento, existe o risco de construir uma integração sofisticada que automatiza um processo mal desenhado.

O objetivo não deve ser conectar sistemas por conectar.

Deve ser eliminar fricção da operação.

SAAT Nexus pode ser um gatilho para revisar processos internos

A chegada de uma nova plataforma pode representar mais do que uma obrigação de adaptação.

Ela também pode ser uma oportunidade para revisar processos que já estavam excessivamente manuais.

É um bom momento para questionar:

Por que essa informação é baixada manualmente?

Por que alguém precisa copiar esse dado?

Por que existem planilhas intermediárias?

Por que financeiro e regulatório consultam fontes diferentes?

Por que o ERP não recebe essa informação automaticamente?

Às vezes, uma mudança externa é exatamente o gatilho necessário para modernizar processos internos.

Integração transforma mudança regulatória em eficiência operacional

Mudanças no setor elétrico continuarão acontecendo.

Novas plataformas, novos procedimentos, novas obrigações e novos fluxos de informação fazem parte da evolução do mercado.

Empresas preparadas para esse cenário não são apenas aquelas que possuem bons sistemas.

São aquelas capazes de conectar rapidamente novas fontes de dados à sua operação.

É essa capacidade de integração que reduz retrabalho, melhora a rastreabilidade e aumenta a velocidade da adaptação.

Na Harpix, trabalhamos conectando sistemas, plataformas e dados para transformar processos fragmentados em operações mais integradas.

Porque o desafio não termina quando a informação fica disponível.

Ele termina quando essa informação chega ao lugar certo, no formato certo e no momento certo.

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