Banco de dados
Arquitetura composable: o hype por trás do termo que está redefinindo como empresas montam sua stack de tecnologia

Victor Gurgel
harpix
10 min
Tempo de Leitura
Data de Publicação

Nos últimos anos, o termo composable virou praticamente onipresente em qualquer conversa sobre tecnologia empresarial, seja em e-commerce, em ERP ou em CRM. Toda plataforma nova se apresenta como composable, e boa parte das empresas repete a palavra sem necessariamente entender o que ela muda na prática, o que faz esse conceito valer a pena destrinchar sem o exagero de marketing que normalmente vem junto.
Na essência, arquitetura composable significa montar a stack de tecnologia de uma empresa como um conjunto de peças independentes que se conectam entre si, em vez de depender de uma suíte única e fechada que tenta resolver tudo de uma vez. Ao invés de comprar um pacote monolítico que já vem com módulo de estoque, módulo de pagamento, módulo de atendimento e módulo de catálogo todos amarrados, a empresa escolhe a melhor solução pra cada função e integra essas peças entre si.
A promessa central por trás disso é conseguir trocar uma peça do sistema sem precisar derrubar o resto. Se o módulo de pagamento de uma suíte monolítica ficou ultrapassado, trocar ele sozinho geralmente é inviável, porque tudo está amarrado no mesmo pacote. Numa arquitetura composable, em teoria, essa troca é isolada, e o resto da stack continua funcionando normalmente enquanto só aquela peça específica é substituída.
O motivo desse modelo estar ganhando tração agora é que as empresas estão cansadas de ficar reféns de um único fornecedor. Quando toda a operação depende de uma suíte fechada, qualquer limitação daquele fornecedor vira limitação da empresa inteira, seja em preço, em funcionalidade ou em velocidade de atualização. Composable promete resolver isso trocando dependência total por peças modulares que podem ser substituídas conforme o negócio muda.
Só que existe uma distância grande entre a promessa e a prática, e é aí que mora o hype. Montar uma arquitetura composable de verdade exige integrar todas essas peças entre si, e cada peça nova que entra na stack é mais um ponto de integração pra manter funcionando. Muita empresa adota o discurso composable, compra várias ferramentas especializadas, e descobre depois que trocou o problema de depender de um fornecedor pelo problema de manter dezenas de integrações customizadas entre sistemas diferentes.
Isso não invalida o modelo, mas muda o que precisa estar pronto antes de adotar ele. Composable só entrega o que promete quando existe uma camada de integração sólida por trás, capaz de conectar as peças novas com a mesma facilidade com que elas prometem ser trocadas. Sem isso, a empresa não ganhou flexibilidade, só trocou um tipo de amarra por outro, só que mais difícil de enxergar porque está espalhada em vários sistemas em vez de concentrada num só.
Vale a pena uma empresa avaliar onde ela realmente está antes de comprar o discurso composable. Existe uma diferença grande entre ter vários sistemas soltos e mal conectados, ter uma stack já modular mas sofrendo com a dor de integrar tudo isso, e ter de fato uma arquitetura composable madura, onde trocar uma peça é rotina e não um projeto de meses. Entender em qual desses estágios a empresa está é o que decide se composable vai ser um ganho real ou só mais um nome bonito pra continuar com o mesmo problema de sempre.
Compartilhe este conteúdo:

