Integração
Social commerce no Brasil: o que muda na operação quando o TikTok e o Instagram viram canal de venda direta

Victor Gurgel
harpix
10 min
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Durante muito tempo, redes sociais funcionaram como vitrine, um lugar pra gerar desejo e mandar a pessoa pro site ou pro marketplace pra fechar a compra. Isso está mudando rápido. TikTok Shop, Instagram Shopping e outras iniciativas parecidas transformaram essas plataformas em canal de venda direta, onde a pessoa descobre o produto, decide comprar e finaliza tudo sem sair do aplicativo, e esse movimento já chegou com força no Brasil.
Do ponto de vista de quem compra, isso é só mais comodidade. Do ponto de vista de quem vende, é uma operação nova, com exigência que boa parte das empresas ainda não está preparada pra atender. Toda empresa quer estar no TikTok Shop ou vender pelo Instagram, mas poucas pararam pra pensar em quem vai atualizar o estoque de lá, quem vai processar o pedido que chega por esse canal e como esse pedido vai aparecer no resto da operação da empresa.
O primeiro ponto que muda é o volume e a velocidade. Social commerce tende a gerar picos de venda muito mais rápidos e imprevisíveis do que um e-commerce tradicional, principalmente quando um vídeo viraliza ou um influenciador faz uma live de vendas. Se o estoque desse canal não estiver sincronizado em tempo real com o resto da operação, a empresa corre o risco de vender um produto que já esgotou em outro canal minutos antes, ou de mostrar como esgotado um produto que na verdade ainda está disponível.
O segundo ponto é que cada pedido que entra por um canal de social commerce precisa ser tratado como qualquer outro pedido da empresa, indo pro sistema de gestão, gerando nota fiscal e entrando na fila de logística, e não como uma venda à parte que alguém do time processa manualmente porque veio de um canal diferente. Quanto mais canais de social commerce a empresa ativa, mais insustentável fica tratar isso de forma manual.
O terceiro ponto, que costuma ser o mais esquecido, é a visibilidade de negócio. Sem integrar o dado de venda desses canais com o resto da operação, a empresa não consegue enxergar de verdade quanto está vendendo no total, qual produto performa melhor em qual canal e onde vale investir mais. Cada canal de social commerce que fica isolado é mais um pedaço do negócio que só existe numa tela separada, sem conversar com o resto da análise da empresa.
No Brasil, esse movimento ainda está em fase de adoção, mas cresce rápido, puxado por marcas de moda, beleza e eletrônico que já enxergam social commerce como canal relevante de receita, e não só como mídia. Empresas que tratarem esses canais como uma extensão natural da operação, com estoque, pedido e dado integrados ao resto do negócio, tendem a aproveitar esse crescimento de forma muito mais sólida do que quem trata cada rede social como um projeto isolado, dependente de trabalho manual pra funcionar.
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